segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ainda sinto as pernas tremendo
Seu cheiro em meu corpo
E seu gosto em minha boca.
Eu em você
Seu sexo: meu feitor, meu senhor.
E eu te como qual servo, artífice do teu prazer
Recompensado pelo louvor do teu gozo
Feito turvo pelo tabaco inebriante
Musa do meu deleite derramado
Espirrado sob os sussurros destorcidos
E o nítido rugido derradeiro de mim
Que tu proclamastes rei interino
Para entorpeceres com as tuas partes:
Tão fortes, tão lindas, saborosas
no meu cetro que te domina.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

xu xu xu, xá xá xá!


Algumas coisas nunca mudam. Mas, tanto mais ouçamos esse ditado, menos nos comportamos de acordo com ele. Não sei em que nível, mas esse sentimento existe em humanos dos mais pessimistas ou dos mais realistas.

Quando, afinal, sabemos que chegou a hora de desistir? Terá nossa geração sucumbido de forma irremediável ao "nunca desista dos seus sonhos"? Essa é a máxima que realmente vale a pena ou estamos estagnados num eterno xu xu xu xá xá xá da década de 80?

É bem verdade que os que desafiaram o ridículo conquistaram o mundo; imagino quantas gargalhadas Santos Dumont aturou ou a cruel descrença que sofreu o pequeno Leonardo da Vinci, sendo chamado de excêntrico filho de camponesa. Estava assistindo o Fantástico esse domingo (Não, esse não foi um domingo típico! Sim, eu tenho vida social), mais especificamente, o concurso GAROTA FANTÁSTICA.

Era de cortar o coração o choro das 8 garotas de cabelos escuros, entre as quais, pelo menos 3 tinham o IMC abaixo de 15. Esse concurso me remeteu aos grandes concursos televisivos que com esse nome ou não, na verdade, são um grande show de horrores em que o sonho, o desejo e sentimentos humanos dos mais sensíveis são usados de atração principal.

Pensei no Raul Gil; pensei no America's Next Top Model; pensei no Fama... Pensei na linda garota baiana de olhos verdes e que jamais tomava banho de sol com seus cabelos torturadamente alisados. Lembrei do depoimento sincero de Yasmin Brunet que, falando da multidão de garotas desesperadas em agências de modelos, disse, naturalmente: "Tipo, tem muitas delas lá. E muitas que não têm a menor condição!".
Definitivamente, Yasmin! Esse é muito o ponto em questão! Em que momento entendemos que "nunca desista dos seus sonhos" era o mesmo que "seja irracional"?

O xu xu xu xá xá xá realmente veio pra ficar e o antigo sonho que índias, negras, mamelucas e mameloucas tinham de ser das mais nórdicas paquitas foi substituido pelo desejo que as mesmas delas, em versões bem mais esqueléticas e alisadas, têm de ser Gisele Bundchen's, Ivete Sangalo's e afins. Mesmo quando essas pessoas ( como diria a sábia Yasmin) 'não tem a menor condição'.

E nesse ritmo louco, nesse xu xu xu xá xá xá, lá vem elas cantando Whitney Houston sem saber inglês em seus vestidos esvoaçantes sem saber que competência não é tudo no atual mundo do estrelato. Não, senhores! Isso tudo tem a ver com outras coisas, tem a ver com o sofá certo; ter nascido do ventre certo (Né, Yasmim?!); vir da família certa e por fim a santa trindade do oportunismo: lugar certo, hora certa, roupra provocante certa.

Gente! Quem disse que o ápice de conquistas e sucesso que alguém pode ter é num palco? Por que ser bonito ou cantar bem não pode ser bom numa vida normal de um administrador, advogado, pintor, professor, torneiro mecânico ou seja lá o que for? No final das contas, os deles que tiveram que passar por agruras até o sucesso são os que realmente 'tinham condições' e, definitivamente, sabiam disso. Para os demais, o processo foi natural.

O que as pessoas precisam mesmo é de sonhos novinhos em folha, valores novinhos em folha... autocrítica, vulgo "simancól" novinho em folha, caso contrário, a presente futilidade e as insuportáveis caras e bocas e peitos e bundas vão continuar nesse medonho reinado em que são esses membros que representam o que é ser humano.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Flores


Não me importam os gestos convecionais
Não faço questão
de um buquê de rosas no dia 27
me emocionaria mais um espinho
arrancado dum jardim
numa segunda-feira tupiniquim.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

QUEM SOU EU


Eu quero ser tudo
que todos que já vi não foram
Mas não sei, de todo, se
das minhas idéias no mundo
cabe o arrojo
Então, estou sempre e aos
poucos, sendo um pouco
Um pouco do bom e um pouco
do mal
Às vezes sou doce
noutras puro sal.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Love Fade


Porque o amor é frágil
Morre um pouco, nunca totalmente.

Porque você não mereceu
Ele pereceu.

Descaracterizou-se.

E,

Ficou sem nome.

Perdido.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pequenos humanos, Grandes negócios



É oficial! Vivendo em uma grande cidade, enfrentamos desafios, assumimos responsabilidades e encaramos grandes problemas. Num lugar em que tudo gira em torno de organização (ou, da tentativa de a fazer), parece não haver espaço para falhas.

Um sistema tão acelerado que "não entrar no compasso" significa cair e ser atropelado.

Lembro-me de um tempo em que eu passava lustra-móveis na capa dos meus CD's (Prefiro acreditar que, na época, eu não sabia que era um lustra-móveis o que eu tinha nas mãos), mas, enfim, a idéia era tentar não deixar os CD's - já bastante usados – com aspecto velho... esbranquiçado.

Sendo isso um reflexo do meu comportamento de não muito tempo atrás, existiam, correlatos a ele, pontualidade, mania de arrumação e preocupação com detalhes patológica. Uma pessoa que acorda às 5hs30min da manhã para um compromisso às 7hs não pode ter escapado de uma seqüela neurológica advinda de uma pancada na moleira enquanto, ainda, na maca da maternidade.

Anos passaram-se e, de repente, me vejo em uma cidade grande novamente, depois de anos no interior. Percebo que devo ter-me abrasileirado, como diria o português. Depois de anos de "15-minutinhos-não-são-nada" e de "deixa-assim-mesmos", a grandiosidade implacável da cidade grande e organizada insiste em me reposicionar. Por que 15 minutos aqui valem muito e porque a imagem de algo que se faz por aqui tem que ser impecável.

Por quê? Talvez, porque haja tanta gente fazendo e oferecendo a mesma coisa que o diferencial é aproximar-se o máximo possível da perfeição. Uau! Como é pretensiosa e utópica a cidade grande. Mas, é assim que funciona... Viver na cidade grande significa estar num lugar onde o seu melhor nunca é o bastante.

Portanto, a perfeição é requisito básico na fala, no comportamento e no produto do que nos propomos a fazer. Seja menos humano! É o que os imagino dizendo todo o tempo e isso me deixa confuso porque, ao mesmo tempo em que sinto "parafuso e fluido em lugar de articulação", percebo o quão melhor as coisas podem ser feitas e que o progresso depende disso.

O homem precisa mesmo ser uma máquina para o mundo progredir?

Se isso é supervalorizar o material, não sei. Mas, quanto às pessoas... Elas não são lá muito encantadoras no dia a dia, nem parecem muito satisfeitas com esse processo desumanizador. É visível no ponto de ônibus, no elevador, nas ruas. Se lessem meus pensamentos, eu não estaria mais aqui pra contar a história. Eu sou muito mal com essas pessoas em pensamento. Mas, elas também são muito ruins no jeito que me encaram; no jeito que se vestem; no jeito que não dizem "Bom dia" no elevador.

As pessoas estão sempre com pressa e atropelam quem está na frente... elas comem amendoim e jogam as cascas na rua, batem nas crianças e se relacionam pelo orkut. É assustador esse processo causado pela azáfama das grandes cidades. Tudo é tão beyond e primário ao mesmo tempo. Trabalhar pra comer; comer pra dormir; dormir pra ir trabalhar; trabalhar para comprar.

Até o final de semana nos bares dos seus Zés e das Donas Marias são pra relaxar pra ganhar mais algum na segunda-feira. Fica difícel encontrar gente de verdade por trás de tudo isso. Uma casca que vai engrossando com o passar do tempo.

E o que é mais estranho é que aquela pessoa robótica e impessoal, apesar de estar tão endurecida e cruel... de repente, aparece suscetível, carente e indignada com atos e fatos dos quais ela mesma pode considerar-se partícipe. Seria esse o momento de ascensão do núcleo?

Nesses breves momentos, alguém simplesmente dispara um comentário elucidativo sobre o absurdo que é aquele cara ter tentado furar a fila no banco ou a velocidade com que aquele maluco dirigia pela faixa de pedestres.

Nesses breves momentos, um estranho que jamais seria, sequer, amigável pode transformar-se em um amigo. Isso é o que há de encantador nesse lugar gigante. As pessoas têm essa capacidade de parecer fechadas, distantes, inacessíveis. Mas, uma vez que você consegue romper aquela casca dura... Um momento de epifania nos conduz ao insight de que somos irmãos, em algum nível, somos irmãos. E isso faz valer muito a pena!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A Dança do Amor


Lembro de um dia ter dito e até escrito que pretendia amar sem me importar com equivalência de retribuição.

Lembro que minha pretensão, mesmo que inconsciente, era a de alcançar um sentimento que fosse sublimemente altruísta e livre de egoísmo.

E, com o passar do tempo e o envelhecimento - leia-se maturação, das minhas sensações, percebo que vale muito à pena esperar receber a mesma medida do que se oferece. Ou, esperar o mesmo comportamento disposto a alguém que dizemos amar.

Porque ser egoísta não é, de todo, ruim. Ele ( o egoísmo - ou seria auto-estima?) nos protege e evita que nos sujeitemos a situações vergonhosas.

Não dá mesmo pra ser translúcido no amor sem ficar desvantajosamente exposto e parecer vulnerável.

É como se o processo de amar fosse uma dança em que cada passo seu depende de um posicionamento do parceiro. Porque, quando o contrário acontece, o risco de dar um salto sem apoio é grande demais e o tombo pode ser insuportável... dói.

Enfim, as máximas que criamos são mesmo mutáveis e isso é altamente positivo, afinal, insistir em comportamentos falidos não é inteligente.

Mas, parece tão irresistível... sucumbir às máximas cinematográficas nas quais o incentivo é o de não proteger-se para não enlouquecer e o de que ser humano é bonito.

Desde quando que ser humano significa ser, predominantemente, passional? Desde quando é bonito estar exposto ao sofrimento de atirar-se num momento de adrenalina prazerosa sem nenhuma garantia de ter a queda aparada?

Minha nova máxima... clichê... repetitiva: Não tratar como prioridade quem nos trata como segunda opção.

Que seja uma apologia à distancia e frieza entre os seres... que seja um endurecimento do que foi feito pra ser maleável. É de segurança que estou falando e é muito bom sentir-se seguro. É muito inteligente sentir a brisa vinda de uma janela aberta apenas quando existe uma grade de proteção por fora.

Porque se é verdade que o cérebro reaje à rejeição da mesma forma que reaje à dor. Não me parece nada natural, quanto mais bonito, tentar se proteger mais cuidadosamente contra uma facada do que contra um "não ser correspondido".

Enfim, em todos os campos da vida, o certo é que não dá pra, voluntariamente, ficar exposto... desprotegido porque para amar alguém, exegeticamente falando, é preciso amar a sí próprio antes. E agir de maneira gradual e cuidadosa sem se tornar vulnerável é, além de proteger-se, amar-se!